O Machismo Mata todos os Dias

Ontem a tv aberta de Belém noticiou dois casos de violência domestica contra mulheres. Ambos, como na maioria dos noticiários da grande mídia, são apresentados de maneira romântica, onde o agressor fez “aquilo” por amor, que o mesmo estava com ciúmes de sua companheira, etc. Não retratando de fato que estas e outras mulheres tiveram suas vidas ceifadas por um histórico reincidente de violência que está se tornando cada vez pior.

A Subsecretaria de Pesquisa e Opinião Pública do Senado Federal (2005) mostrou os dados do Disque-denúncia (nº 180), em que: entre as mulheres agredidas, 71% foram vítimas mais de uma vez e 50% quatro vezes ou mais, o responsável por essa agressão em 65% dos casos é o marido ou companheiro.
É importante salientar que além dos problemas na aplicação da lei Maria da Penha, ainda existe o machismo do judiciário e a negação para cumprir os devidos preceitos legais da própria lei. Neste ponto, proponho uma reflexão: tal qual a lei Maria da Penha, atuar somente na punição à violência domestica é a solução para o problema de violência contra as mulheres?
É indiscutível o fato de que os agressores de mulheres, através da Lei Maria da penha, devam ser punidos pelos atos cometidos. Entretanto, é necessário pensar que a prevenção a essas práticas de violência, também são necessárias. De tal forma que devamos incluir na educação de nossos filhos e filhas que não existe hierarquia ou superioridade entre homens e mulheres apenas pela diferença de sexo. É construindo o debate na sociedade de que mulheres têm autonomia de decidir sobre suas vidas e que estas, ou nós, não somos propriedades de pais, irmãos, namorados ou maridos. Não dá mais para ficar calada frente a tanta violência.
É necessário denunciar o agressor, mesmo entendendo todos os aspectos psicológicos colocados neste momento. Quantas e quantas vezes não ouvimos falar e conversamos a respeito de uma amiga ou parente que foi agredida por um companheiro ou ex-companheiro? Existem ainda aqueles que acham que “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, mas foi esta omissão que permitiu e permite que centenas de mulheres sejam mortas todos os dias no mundo inteiro.
Vamos ver alguns dados para elucidar o debate:
– A cada ano mais de 1 milhão de mulheres são vítimas de violência doméstica no Brasil;
– A maior causa de invalidez de mulheres entre 16 e 44 anos é a violência doméstica;
– Para 1/3 das vítimas, as agressões começaram por volta dos 19 anos;
– No norte do país 20% da população feminina afirmou já ter sofrido violência física;
– No Brasil, 10 mulheres morrem a cada dia em função da violência doméstica;
– A cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil.
São por estas e tantas outras práticas consideradas naturais em tempos antigos, que o movimento de mulheres pautam em suas atividades e caminhadas palavras tais como: “Se tem violência contra mulher a gente mete a colher”.
Precisamos, homens e mulheres, denunciar todos os tipos de violência contra as mulheres. O numero para isso é o 180. Não podemos mais permitir que mais mulheres sejam mortas ou sofram violência e humilhação de seus companheiros. Essa é a luta de todas as mulheres, movimentos sociais organizados, defensores dos Direitos Humanos, militantes dos partidos políticos e da sociedade civil organizada toda. O fim da violência contra todas as mulheres depende de todas e todos nós. Esse mandato permanece sempre na luta por dignidade e igualdade para homens e mulheres.
Reportagens : (clique na imagem p/ ampliar)

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